sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Noblesse Oblige"

Quando não é sapo, é gato que insiste em ser lebre. Quero mesmo um docinho...

Um comentário:

  1. Então, finalmente, surge nome para uma das minhas micronarrativas: O cahorro que engolia sapos.
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    Parecia um cachorro disciplinado, porque vivia em coleira e corrente. Mas a coleira do cão também eram contos ferozes, caninos à mostra. Então colocaram sua coleira atrelada a um arame, enorme para as pessoas, minúscula para ele, cachorro. Sim, ele podia correr, mas tinha que correr e voltar, voltar e correr, correr e correr, correr e ficar ou perder-se correndo quase sem lado, queria ser sem arame. Durante a semana tinha sempre osso duro de roer, ficava ao alcance da boca, sem limite de arame. Doía roer, mas que jeito? O sábado, às vezes lhe garantia carne vermelha, onde podia sangrar e aquilo era bom, entendia. Mas ficava muito na ponta do arame, quando o cachorro já tinha de se esticar demais e estava cansado. De uma mordida, escorreva pelo arame para debaixo da árvore, cheia de ossos e folhas verdes na copa e amareladas no seu chão.
    (Francis Aguiar)

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